segunda-feira, 29 de agosto de 2011

DIALOGO INTERNO COM DEUS, DIABO E OUTRAS ESPÉCIES.

Dialogo interno com Deus, Diabo e outras espécies.
Você pensa o que pensaram para você pensar!
PARTE I


        
        Osório Ferdinaldo era um cara diferente, do tipo que não acreditava em quase nada. Era mau humorado e taciturno. O seu esporte favorito era falar com desdém das “barangas” com as quais cruzava nos super mercados onde ele comprava sua comida orgânica.

         Ele era jornalista “é claro!” ... e mesmo não acreditando em nada do que vendia, trabalhava como editor em uma grande revista voltada ao público espirita. A revista se chamava “Quem Morreu ?”  “...sério!” Nas horas livres, Osório também era professor e dava aulas em uma faculdade no subúrbio da cidade. Sua diversão era torturar os pobres calouros do primeiro período. “...os novos sonhadores”

            Todas as manhãs Osório levantava sua sobrancelha e proclamava o quão os textos daqueles coitados eram umas drogas para em seguida manda-los  fazer tudo novamente. Ferdinaldo era implacável e nunca aceitava ou dava espaço para que o aluno pudesse discordar ou discutir qualquer argumento. 

            O homem dizia-se ateu, não acreditava em Deus, nem em santos, nem em espíritos e nem nessa história de almas, fossem elas penadas ou não. Apesar de também não acreditar no inferno e nem no Diabo, Osorio Ferdinaldo dizia sentir certa simpatia pelo tal coisa ruim. Um belo dia, Deus, que não era um cara bobo e observava o comportamento de todos aqui em baixo pelo facebook celestial, se irritou com aquele sujeito esquizo e mau humorado. Sendo assim,  Deus, resolveu pregar-lhe uma peça.

            Era sexta feira, Ferdianaldo arrumava-se para encontrar sua namoradinha do outro lado da cidade. Essa não era baranga,  “...ao menos aos olhos dele!” Eles haviam combinado de jantar em um restaurante japonês que acabara de ser inaugurado. A casa estava cheia e o atendimento lento. Deus já impaciente, ficava lá de cima dedilhando os dedos sobre sua grande e reluzente mesa nova de vidro e alumínio comprada na TOK & STOK do céu.

            Muitas doses de Saqué depois a comida finalmente chegou a mesa de Osório e sua namorada não baranga. A aparência estava ótima. O carrancudo, já com água na boca, quebrava seu Rachi, mirando o olhar no salmão cru de aparência fresca e extremamente suculenta. Já meio alto pelo excesso de Saqué ele mau conseguia equilibrar a comida nos pauzinhos e isso irritava Deus, “...quanta demora!” Sendo assim ele fechou seu MacBook Air 2011 e resolveu dar uma forcinha. Pronto! Estava acontecendo.

No dia seguinte... no ... Meia Hora ...

HOMEM MORRE ENGASGADO COM ROLINHO PRIMAVERA DO JAPONESINHO!

C O N T I N U A . . .  

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O IPOD DISSE QUE NÃO DEVERÍAMOS ENTRAR, POREM, MESMO ASSIM... ENTRAMOS!


       Trabalhar diariamente em uma redação ao lado de um prédio cheio de corpos mortos, usados por estudantes de anatomia tem mexido um pouco com a minha imaginação e com a cabeça de meus colegas jornalistas e acho que com a do ... publicitário também. Porem o fato é que esse blog será composto por desabafos e absurdos, surdos que só ocorre em nossas mentes esquizo. Confesso, não sofro de esquizofrenia, e nem quero, mas pode ser que ao longo dessas postagens eu descubra outras irregularidades psico mentais além da minha insana ansiedade.


       Pensei em um texto interessante para abrir esse ... abrir não, essa não é uma palavra boa. ESTREAR, isso! Estrear esse espaço. Pensei pouco, confesso... again! Ando em uma fase de grande e estranha criatividade. Acho que vou cursar Publicidade, me formar e ganhar uns prêmios para ocupar algum espaço nas prateleiras novas que há em meu quarto. Pensando bem, melhor não. Odeio limpar esse tipo de coisa. Voltando ao que interessa... “do que eu estava falando mesmo ?” Ah sim, dia desses fomos visitar a tão terrível sala de anatomia do prédio ao lado.


       Meus colegas e eu descemos as escadas cruzadas do CS no fim do maçante expediente. A sala da anatomia estava com as luzes acesas, os ventiladores sopravam de dentro para fora, o cheiro incomodo do formol e dos cadáveres velhos. Colamos nossos rostos no pequeno vidro quadrado que ficava na porta tentando enxergar o que acontecia dentro da sala. Eram 12 ! esse era o número de corpos que ali haviam. Gelo, surpresa e espanto. 14 bancadas, 12 cadáveres cobertos com lençóis brancos enfileirados, um ao lado do outro. No fim da sala extensa 2 bancadas vazias, dois lençóis desarrumados sobre elas.


       Do lado de fora 5 pessoas vivas com sangue pulsando a mil. 5 Cabeças, e 5 pares de olhos arregalados desejando não estar mais ali. A porta se abria rangendo e nos convidando a entrar. O iPod da jú disse que não deveríamos, mas mesmo assim entramos. Ouvimos um barulho e quase
morremos. Mais a frente dois corpos mortos, frios, secos e avermelhados com a aparência morta de um pedaço de carne seca de açougue de quinta, deixavam de ser objetos de estudos e ganhavam movimentos mesmo sem nenhuma célula, músculo ou tecido vivo. Todas as noites aqueles dois corpos mortos voltavam à vida e nus amavam-se em movimentos frenéticos.


       Foi quando notaram a nossa presença espantada e em choque. Jocimara mesmo tremendo sacou seu gravador e pensou em apurar uma pauta para o painel, foi logo tratando de pensar nas perguntas de uma entrevista e na chamada da matéria; Adriana disse algo interpretável e desmaiou, ou se fingiu de morta, vai saber... Julie quis fugir, mas ficou estática sem se quer piscar pensava em qual fora a droga que teriam colocado em sua bebida; Eu me pus a rezar chamando todos os santos em pura macumbaria e Lucas disse... ah... tá, mas em ?!


       Um pacto foi acertado, eles queriam ter um filho, tentamos entregar Adriana para o sacrifício, ela seria a filha adotiva do casal, mas ela já estava no trem a caminho de casa, ela realmente tinha se fingido de morta e fugiu a passos largos nos deixando para trás. O segredo havia sido descoberto, teríamos que pagar pela intromissão ao mundo dos mortos do prédio ao lado. Foi quando notamos todos os 12 corpos mortos tornando-se animados, até que o publicitário entrou na sala dizendo: – Achei vocês! E aí, Já experimentaram a Ruffles de yakisoba ? Sem pensar duas vezes jogamos o “publicitário” para os mortos em sacrifício e sem pena corremos o máximo que nossas pernas puderam. O publicitário nunca mais foi visto, em parte foi legal, porém hoje somos diariamente atormentados por seu espírito esquizo fazendo tic tic tic nos estabilizadores de nossa redação.